Entrevis ta com a especialista em Educação Inclusiva Lizeli Scartassini.
Ela é pós-graduada em Educação Inclusiva, professora da rede pública do RS, Gestora da ONG Construindo a Diferença/RS, Pedagoga Especial na Área de Deficiência Mental/PUCRS, tem extensão ma UFRGS na área de Altas Habilidades e Superdotação e está concluindo a especialização em Mídias e Educação pela UFSM/RS. É palestrante em cursos na área de educação e acessibilidade, movimentos sociais e áreas afins.
Premiações recebidas: Construindo a Nação, ano 2008/2009, concedido pela Sony Brasil Wolks em parceria com FIERGS e 1º lugar: Projeto LIBRAS e a Construção da Diferença, concedido pela HSBC Solidariedade.
Email: lizeliscarta@hotmail.com
Confira na íntegra, direto de Palmeira das Missões, a entrevista dada exclusivamente ao Jornal de Viamão. O entrevistador foi o colunista Dilvano Brum:
JV: Como entender a relação de mutualidade, cooperativismo e economia solidária?
Lizeli: Simples: partilhar, ser realmente solidário, co-participar num movimento onde embora tenha alguém num momento que será o líder em outros será substituído por outro integrante do grupo, porque cada um de nós tem uma habilidade que muitas vezes não desenvolvemos e/ou nem sequer descobrimos em nós. Fazemos alguma coisa e se partilharmos, poderemos ajudar a muitos. A idéia de que ações por mais simples que possam parecer podem gerar uma grande idéia. Veja bem: ser solidário, ou solidária, não é dar tudo pronto, mas ensinar e aprender, ser aprendiz. “Ensinar a pescar”, como dizemos. Penso que de nada adianta fazer ações e dar tudo pronto. Me parece que não terá um significado, me parece um gesto sem amor, sem sabor. Economia solidária entra num outro viés, como estamos com muitos problemas foi, e é preciso, repensar muitas de nossas ações que historicamente viemos fazendo.
Se um ganhar numa ação coletiva e estiverem em redes e associações o ganho seria para muitos participantes porque o todo tem o mesmo valor, tem peso. O deixa ver se consigo exemplificar: “Justa trama” trabalha com idéia de economia solidária ,desde a agricultura familiar: entra o produto, é plantado, depois enviado a outro grupo que faz o fio e depois outro produz o tecido e depois o outro faz a roupa e é outro que comercializa. Ou seja, uma teia tecida por muitas mãos no final tem um produto de excelente qualidade. Então, ainda precisamos pensar em redes e formar teias ,de nada adianta empreendimentos ficarem isolados se voltar de novo a história dos jesuítas. Eles faziam isso nas reduções: plantavam, faziam a colheita, exportavam. Um pouco servia para consumo da comunidade.
JV: Lizeli, o que seria ideologia cooperativista?
Lizeli: Cooperar ajudar mutuamente como uma totalidade, um ajudando outro todos se tornam fortes. Um só não faz muito. Esta ideologia que você me pergunta existiu antes, mas foi sucumbida com tempo como, por exemplo, aqui no Brasil, no RS, foi nos trazida pelos jesuítas. Uma forma de cooperar mutuamente E NUM COLETIVO VIVER HARMONICAMENTE EM SOCIEDADE.
JV: Nós começamos nossa conversa e já surgiu o termo Economia Solidária. Para quem não está ainda por dentro do que seja, poderias no explicitar sobre isso?
Lizeli: Sim, economia, moeda. Usamos termo de trocas solidárias e tem grupos que inventaram moedas solidárias. Ajuda mútua, aprender a partilha, doar de coração, arremangar as mangas e colocar a mão na massa. Fácil ganhar tudo prontinho o difícil é plantar colher e etc...
JV: Ou seja, não se trata de assistencialismo. Correto?
Lizeli: Exatto! Não é doar alguma coisa, do tipo ir à vila e doar agasalhos. Porém mais nobre e bonito: Conversar, interagir com o pessoal da vila e ensinar a fazer o agasalho. Se isso é o que sabem fazer de melhor, por menos que seja, podem aprender e reaprender e partilhar. Eu aprendi uma vez com um menino de rua que gostava de fabricar anéis e pulseiras. Ficavam muito bonitos. Com certeza ele sabia fazer, mas duvido, que com um jeito assistencialista, ele teve oportunidade de desenvolver esta habilidade em algum lugar na sua comunidade sem que fosse visto de maneira diferente.
Olha amigo, despir-se de alguns preconceitos também faz parte da idéia de ser solidário.
JV: Obrigado Lizeli por sua entrevista exclusiva para o Jornal de Viamão. Sucesso em teu trabalho e missão em prol de uma educação cada vez mais inclusiva e no respeito às diferenças nunca esquecendo a solidariedade que também educa, desapega e liberta.
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