domingo, 26 de junho de 2011

Entrevista com a especialista em Educação Inclusiva Lizeli Scartassini.

Entrevista com a especialista em Educação Inclusiva Lizeli Scartassini.


Ela é pós-graduada em Educação Inclusiva, professora da rede pública do RS, Gestora da ONG Construindo a Diferença/RS, Pedagoga Especial na Área de Deficiência Mental/PUCRS, tem extensão ma UFRGS na área de  Altas Habilidades e Superdotação e está concluindo a especialização em Mídias e Educação pela UFSM/RS. É palestrante em cursos na área de educação e acessibilidade, movimentos sociais e áreas afins.
Premiações recebidas: Construindo a Nação, ano 2008/2009, concedido pela Sony Brasil Wolks em parceria com FIERGS e 1º lugar: Projeto LIBRAS e a Construção da Diferença, concedido pela HSBC Solidariedade.
Email: lizeliscarta@hotmail.com                       

Confira na íntegra, direto de Palmeira das Missões, a entrevista dada exclusivamente ao Jornal de Viamão. O entrevistador foi o colunista Dilvano Brum:

JV: Como entender a relação de mutualidade, cooperativismo e economia solidária?
Lizeli: Simples: partilhar, ser realmente solidário, co-participar num movimento onde embora tenha alguém num momento que será o líder em outros será substituído por outro integrante do grupo, porque cada um de nós tem uma habilidade que muitas vezes não desenvolvemos e/ou nem sequer descobrimos em nós. Fazemos alguma coisa e se partilharmos, poderemos ajudar a muitos. A idéia de que ações por mais simples que  possam parecer podem gerar uma grande idéia. Veja bem: ser solidário, ou solidária, não é dar tudo pronto, mas  ensinar e aprender, ser aprendiz. “Ensinar a pescar”, como dizemos. Penso que de nada adianta fazer ações e dar tudo pronto. Me parece que não terá um significado, me parece um gesto sem amor, sem sabor. Economia solidária entra num outro viés, como estamos com muitos problemas foi, e é preciso,  repensar muitas de nossas ações que historicamente viemos fazendo.
Se um ganhar numa ação coletiva e estiverem em redes e associações o ganho seria para muitos participantes porque o todo tem o mesmo valor, tem peso. O deixa ver se consigo exemplificar: “Justa trama” trabalha com idéia de economia solidária ,desde a agricultura familiar: entra o produto, é plantado, depois enviado a outro grupo que faz o fio e depois outro produz o tecido e depois o outro faz a roupa e é outro que comercializa. Ou seja,  uma teia tecida por muitas mãos no final tem um produto de  excelente qualidade.  Então, ainda precisamos pensar em redes e formar teias ,de nada adianta empreendimentos ficarem isolados se voltar de novo a história dos jesuítas. Eles faziam isso nas reduções: plantavam, faziam a colheita, exportavam. Um pouco servia para consumo da comunidade.

JV: Lizeli, o que seria ideologia cooperativista?
Lizeli: Cooperar ajudar mutuamente como uma totalidade, um ajudando outro todos se tornam fortes. Um só não faz muito. Esta ideologia que você me pergunta existiu antes, mas foi sucumbida com tempo como, por exemplo, aqui no Brasil, no RS, foi nos trazida pelos jesuítas. Uma forma de cooperar mutuamente E NUM COLETIVO VIVER HARMONICAMENTE EM SOCIEDADE.

JV: Nós começamos nossa conversa e já surgiu o termo Economia Solidária. Para quem não está ainda por dentro do que seja, poderias no explicitar sobre isso?
Lizeli: Sim, economia, moeda. Usamos termo de trocas solidárias e tem grupos que inventaram moedas solidárias. Ajuda mútua, aprender a partilha, doar de coração, arremangar as mangas e colocar a mão na massa. Fácil ganhar tudo prontinho o difícil é plantar colher e etc...

JV: Ou seja, não se trata de assistencialismo. Correto?
Lizeli: Exatto! Não é doar alguma coisa, do tipo ir à vila e doar agasalhos. Porém mais nobre e bonito: Conversar, interagir com o pessoal da vila e ensinar a fazer o agasalho. Se isso é o que sabem fazer de melhor, por menos que seja, podem aprender e reaprender e partilhar. Eu aprendi uma vez com um menino de rua que gostava de fabricar anéis e pulseiras. Ficavam muito bonitos.  Com certeza ele sabia fazer, mas duvido, que com um jeito assistencialista,   ele teve oportunidade de desenvolver esta habilidade em algum lugar na sua comunidade sem que fosse visto de maneira diferente.
Olha amigo, despir-se de alguns preconceitos também faz parte da idéia de ser solidário.

JV: Obrigado Lizeli por sua entrevista exclusiva para o Jornal de Viamão. Sucesso em teu trabalho e missão em prol de uma educação cada vez mais inclusiva e no respeito às diferenças nunca esquecendo a solidariedade que também educa, desapega e liberta.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Projeto Libras e a Construção da Diferença

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Palavras chave: Inclusão , Surdos , Acessibilidade


Lizeli B.Scartassini- Pedagogia Educação Especial ênfase em Deficiência Mental ,Pós em Interdisciplinalidade e Inclusão, Extenção em Altas Habilidades e Superdotação, Especialização em Mídias e Educação .

A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), antigamente chamada de Língua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros (LSCB), continua restrita aos grandes centros urbanos brasileiros. Apesar do seu recente reconhecimento oficial falta muito para que, de fato, penetre nos municípios de médio e pequeno porte. Fomos comtemplados com recurso financeiro do Instituto HSBC Solidariedade no ano de 2006,fazendo parte de um grupo de 10 projetos sociais e que mais tarde, após receber cursos,capacitações viria a compor a RCS Rede Concerto Social. Está proposta se desenvolveu em uma escola do RS, no município de Palmeira das Missões tendo como professora responsável
Lizeli B.Scartassini.

Nossas pesquisas têm apontado para níveis muito baixos de domínio da língua de sinais por parte dos surdos. No entanto, com poucos recursos e num espaço curto de tempo, um ano letivo, conseguimos reverter em grande medida esta situação nos municípios em que atuamos.

Devido aos baixos níveis de domínio da LIBRAS e quase nenhum do português, podemos afirmar que a maioria dos surdos das cidades de pequeno e médio porte vivem praticamente alienados da cultura e do meio social, isto porque é impossível pensar sem os significantes lingüísticos.

O que pudemos observar é que quando os surdos dependem apenas de uma mímica, uma linguagem sígnica, aquela inventada no seu meio familiar, estes praticamente não têm nem como narrar nem o que narrar. Contudo, depois de adquirirem a LIBRAS passam não apenas a ter um relacionamento mais intenso com os outros, surdos e ouvintes, como também produzem autonarrativas, ou seja, ressignificam o passado e passam a contar a própria história.

É importante frisar que a educação dos surdos, quando existente nos municípios, ocorre em dois níveis: estadual, municipal. Isto faz com que os dados do setor praticamente não existam ou não estejam sistematizados. Daí importância da nossa proposta de mapear as turmas de surdos da região da 20ª CRE (Coordenadoria Regional de Educação), avaliar os níveis de proficiência em LIBRAS e, a partir daí, encaminhar outros procedimentos e uma integração regional entre surdos e professores de surdos.

Esta tarefa, de caráter social e educacional, que deve ser executada para além do curto prazo, dado que se trata da aquisição lingüística, pretende a partir de Palmeira das Missões, atingir outros municípios da 20ª CRE. O presente projeto foi executado nos anos de 2006 á 2009, em 2009 á 2010 fizemos e construímos junto com outros municípios a REDE CONCERTO SOCIAL(RCS) ,que em 2011 publicou seu 1º livro Concertação Social:Diálogos sobre Economia Solidária, relato de experiências exitosas em nosso estado e fundamentos de economia solidária,cabe aqui também lembrar que o projeto Libras e a Construção da diferença recebeu em 2008 o Premio Construindo a Nação e no ano seguinte também fez publicação do livro Libras e a Construção da Diferença:Relatos de uma Experiência Inclusiva. Sou professora a mais de 25 anos no Estado do Rio Grande do Sul. Atualmente trabalho na E.E.E.Fundamental Vila Velha, sala multifuncional e IEBorges do Canto onde leciono Libras, esta incluída após o projeto no ano de 2008 e faço Supervisão e Orientação de Estagio para Ensino Médio modalidade Curso Normal, formação de futuros Educadores.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

A MUTUALIDADE1 COMO DOUTRINA DO COOPERATIVISMO E DA ECONOMIA SOLIDÁRIA

A MUTUALIDADE1 COMO DOUTRINA DO COOPERATIVISMO E DA ECONOMIA SOLIDÁRIA

Egon Inácio Bieger2
Lizeli Barbosa Scartassini3

RESUMO

A ideologia cooperativista precisa de um instrumento prático para realizar-se e esse instrumento é a cooperativa. Uma de suas principais características é ser uma entidade com dupla natureza isto é ao mesmo tempo uma associação de pessoas e uma empresa econômica. Do equilíbrio entre esses dois aspectos depende o êxito completo da cooperativa como tal. No atual cenário capitalista, todos querem ganhar cada vez mais. Os ricos estão cada vez mais ricos e, em outro extremo, os pobres, cada vez mais pobres. Analisar essa problemática sob a ótica do desenvolvimento sustentável arraigado na doutrina cooperativista e sua contribuição para o homem no âmbito atual e no contexto da Economia Solidária que surge como um modo de produção e distribuição alternativo ao capitalismo, criado e recriado periodicamente pelos que se encontram (ou temem ficar) marginalizados do mercado de trabalho. As relações democráticas nos empreendimentos econômicos solidários são, no entanto, um exercício democrático que tende a superar a divisão entre tarefas manuais e intelectuais e entre a execução e a concepção, base das desigualdades e da exploração no seio dos processos produtivos e, como tal, devem ser incentivados. O trabalho associado é uma forma de ter acesso ao exercício da democracia, e como tal uma prática cidadã, que abre possibilidade para garantir outros direitos, ou a luta pela suas conquistas, sem os quais não haverá desenvolvimento humano.
1 Mutualidade – Reciprocidade, coletividade, interesse comum. s.f. Sistema de solidariedade na base de ajuda mútua. Conjunto de associações de pessoas (chamadas hoje sociedades mutualistas), com uma finalidade social de previdência, de solidariedade ou de ajuda mútua, graças às cotizações de seus associados.
2 Egon Inácio Bieger - Doutorando em Educação – UCSF (Universidade Católica de Santa Fé, Argentina), Mestre em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI, Especialista em Administração Pública, Bacharel em Administração, Socioterapeuta, palestrante em diversas áreas (Educação, Administração, Terceira Idade, Movimentos Sociais), professor dos cursos de Graduação e Pós Graduação da FAI Faculdades de Itapiranga – Itapiranga SC, e-mail adm@seifai.edu.br
3 Lizeli Barbosa Scartassini – Pós Graduada em Educação Inclusiva SEFAI/Itapiranga, professora.rede publica RS, Gestora da ONG Construindo a diferença/ RS, Pedagoga Especial Área de Deficiência Mental/PUC/RS, Extensão UFRGS área de Altas Habilidades e Superdotação,Em curso especialização em Mídias e Educação/UFSM,Palestrante em cursos área de educação e acessibilidade,movimentos sociais e diversas áreas. email:lizeliscarta@yahoo.com.br ou lizeliscarta@hotmail.com.